Com a palavra, Bispo Paulo Lockmann - Junto à Cruz!

 

Junto à Cruz!

 

Neste mês, quando celebraremos a Morte e Ressurreição de Jesus, quero refletir com a Igreja os momentos que antecedem

e apresentam a humanidade de Jesus, sua dor e solidão em pleno Getsêmani, mesmo com os discípulos ao seu redor.

Como podemos ser insensíveis à dor dos/as irmãos/ãs? Ser cristão continua sendo "chorar com os que choram e alegrar-se com os que se alegram". A dor solitária de Jesus é um chamado à sensibilidade.

 

1) “...Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar...;”

Esta primeira frase do texto indica a oração da normalidade. Sim, embora Jesus estivesse para ser preso e crucificado, os discípulos não haviam se dado conta disso, mesmo que Jesus os houvesse advertido  (Mt 26.31-32). Mas, para os discípulos, não estava claro a gravidade do momento, já que o ato de Jesus retirar-se para um local para orar era parte do que ele costumava fazer com regularidade.Tal prática de ter um tempo a sós com Deus, diariamente, foi ensinada por Jesus, e ele a vivia intensamente (Mc 6.46). Nos falta hoje esta diligência de regularmente buscarmos ao Senhor em oração, parte de nossos problemas resultam de falta de oração.

 

2) “...A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui e vigiai comigo.”

Jesus em diversos momentos se entristeceu até as lágrimas (Lc 19. 41), mas neste momento sua angústia era em face da evidência da morte. Mesmo sendo o Filho de Deus e sabendo da ressurreição, sua natureza humana rejeitava o sofrimento e a morte. Aqui está o Cristo solitário e sofredor. Qual a saída que ele encontrou? Buscar o companheirismo dos seus discípulos e a comunhão confortadora do Pai. Pois, ainda que os amigos, familiares e irmãos nos faltem, a presença do Pai nunca nos falta. Esta foi a sensação de Jesus, visto que os seus discípulos, no momento crucial que ele orava e carecia de solidariedade humana, dormiam como ainda hoje dormem muitos cristãos.

 

3) “...nem uma hora pudestes vós vigiar comigo?”

A falta dos discípulos não estava somente na falta de solidariedade com Jesus, mas acima de tudo na falta de diligência e interesse pela oração. Prova disto são as demais palavras de Jesus advertindo a eles: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41)

Essa falta de diligência pode ser verificada na experiência do povo de Israel. O convite e advertência do Profeta Jeremias indica que alguns buscavam ao Senhor, mas não com a frequência e intensidade necessárias: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração”(Jeremias 29.13).

João Wesley constata em seu diário que nas cidades onde as Sociedades Metodistas (igrejas) haviam negligenciado a oração, havia esfriado a fé e decrescido os números dos membros. Quando retomaram a prática do jejum e oração, Deus os visitou e reanimou a fé, e a Igreja voltou a crescer: “Sexta-feira foi observado como dia de jejum solene; e desde esse dia o trabalho em Bristol tem prosperado. Nossa Sociedade ficara muito fraca, Sociedade de novecentos membros fora reduzida a metade. Mas Deus começou a livrar-nos do nosso cativeiro, e por um cântico novo em nossa boca.” (Trechos do diário de João Wesley p. 98).

Hoje, nós seguimos precisando orar com diligência. Com este estudo e como metodistas, queremos, sim, retomar a saudável prática ensinada por João Wesley às Sociedades Metodistas na Inglaterra do século XVIII, dedicando as sextas-feiras ao jejum e oração. Alguns diriam que não é possível para os que trabalham, mas entendo que mesmo trabalhando é possível jejuar e manter-nos em espírito de oração. Certamente se retomarmos a disciplina desta prática, também veremos Deus colocar em nossos lábios um novo cântico. Sabemos todos nós que a advertência de Jesus se aplica a nossa vida ainda hoje. A carne é fraca! Nossa natureza humana precisa ser revestida da graça restauradora do Espírito de Deus. E isto só vem a nós como fruto de uma vida de oração, de comunhão com o Espírito de Deus: “Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz.” (Rm 8.6). Esta é a lição de Paulo para nós. Sim, a oração é o ato de piedade, pelo qual acionamos a influência do Espírito de Deus em nós.

 

4) “...orou de novo, dizendo: Meu Pai se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.”

Aqui é registrada a perseverança de Jesus em oração, disposição de buscar uma resposta. Nossas orações além de carecerem de frequência e disciplina, carecem de perseverança. Com frequência abandonamos a prática de orar por alguém ou por algo, após intentarmos uma ou duas vezes. Ao não obtermos resposta desanimamos, desistimos e carregamos uma derrota. Lembro sempre da figura de Jacó, lutando com o anjo para ser abençoado. Oração é uma luta, carece muita perseverança, de obstinação. Em Lucas, o texto paralelo ao de Mateus, nos diz que a angústia e agonia de Jesus orando, clamando, fez com que seu suor se transformasse em gotas de sangue.

Por outro lado, a oração nos leva a discernir e entender a vontade de Deus. Neste caso, a oração de Jesus não foi atendida como ele inicialmente pedira, ou seja, de forma que Deus passasse dele o cálice da Cruz. No entanto, o fez entender a importância de se submeter à vontade do Pai. Conhecer a vontade de Deus é um dos grandes propósitos da oração. E conhecer a vontade de Deus é conhecer o caminho da benção.

 

Bispo Paulo Lockmann

 

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