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O que Jesus realmente ensinou?
Data: 08/10/2013

1)    O risco de perder o foco

 

     Nós nos defrontamos cada vez mais com o anúncio da prosperidade prometida aos cristãos. Os pregadores se multiplicam com uma pregação de promessas encantadoras, testemunhos de pessoas que estavam falidas, e agora mostrando as bênçãos de Deus aparecem à frente de um carro importado.

     Outro dia uma irmã me perguntou: Bispo, por que não acontecem na Igreja Metodista os milagres que vemos os testemunhos no programa do bispo fulano, ou do missionário sicrano? Eu respondi: estão acontecendo milagres toda semana na Igreja Metodista, visitando as igrejas ouço testemunhos de milagres que me impactam, desde cura de câncer até caso de cego enxergar. A questão, disse eu, é que nós não divulgamos na televisão, ou no rádio. Casos de famílias desestruturadas e endividadas, que se convertem e Deus restaura cura e dá prosperidade, são incontáveis.

          Mas nós não desejamos atrair as pessoas somente com a promessa de cura, ou de prosperidade. Sei que esta frase vai desagradar a alguns. A pergunta que surge é: Por que não Bispo? Porque mesmo crendo que Jesus cura, liberta, traz paz e prosperidade, começar com este anúncio é inverter a mensagem do Evangelho, é tentar ganhar as pessoas pela comida que perece. Não é este o Evangelho de Jesus, o Evangelho de Jesus é outro. “Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho.” (Mc 1.14-15).

 

2)         O Evangelho de Jesus

 

“Então, começou ele a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem sofresse muitas coisas, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, fosse morto e que, depois de três dias, ressuscitasse.” (Mc 8.31).

        Esta é a primeira frase de Jesus após a confissão de Pedro, declarando que Jesus era o Messias. O Messias, que na maioria das tradições judaicas era esperado como um Rei, a ser recebido com luxo, riqueza e honra. É apresentado aqui por Jesus como alguém sem honra, sofredor, rejeitado pelas autoridades, preso como criminoso e morto, e que ressuscitaria ao terceiro dia. Não corresponde nem de longe a imagem que a maioria das lideranças cristãs passam hoje no mundo.

          A reação foi imediata por parte dos discípulos, especialmente Pedro, o mesmo que havia pelo Espírito declarado a messianidade de Jesus. Pedro chamando-o à parte começou a reprová-lo, por Jesus ter apresentado o perfil de um Messias sofredor. Ao ponto de Jesus declarar a Pedro: “Arreda. Satanás! Porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.” Isto porque a expectativa de Pedro era ser “assessor” de um Messias – Rei que fosse exercer todo o poder humano “Suscitaram também entre si uma discussão sobre qual deles parecia ser o maior. Mas Jesus lhes disse: Os reis dos povos dominam sobre eles, e os que exercem autoridade são chamados benfeitores. Mas vós não sois assim; pelo contrário, o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve. Pois qual é maior: quem está à mesa ou quem serve? Porventura, não é quem está à mesa? Pois, no meio de vós, eu sou como quem serve. Vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas tentações. Assim como meu Pai me confiou um reino, eu vo-lo confio, para que comais e bebais à minha mesa no meu reino; e vos assentareis em tronos para julgar as doze tribos de Israel.” (Lc 22.24-30). Sim, Pedro e os demais tinham como nós hoje uma visão equivocada do Evangelho, como porta para riqueza, poder, bem-estar, conforto, etc...

        Qual é a sequencia deste episódio, que traduz também parte do Evangelho. Vejamos: “Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mc 8.34-36).

 

3)  Que outros elementos constituem o Evangelho de Jesus?

 

a)    Quer ir para junto de Jesus e ser seu discípulo?

 

_ “a si mesmo se negue.” Abrir mão dos próprios direitos, recusar a pleitear coisas para si. Não buscar reconhecimento pessoal, ter prazer em ser servo, tão somente. Negar-se a si mesmo não é renúncia como supõem alguns. Renuncia é a disposição de jejuar por um tempo, abster-se de alguns alimentos, o que não é errado. Daniel se absteve de comer da comida da mesa do rei (cf. Dn.1.8). Negar-se a si mesmo é o que Jesus fez: "Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do Homem, então, sabereis que EU SOU e que nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou. E aquele que me enviou está comigo, não me deixou só, porque eu faço sempre o que lhe agrada.” (Jo 8. 28-29), Ou Paulo também fez: "logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.” (Gl. 2.20)

 

_ “tome a sua cruz.” Nada tão esquecido no meio cristão hoje como a cruz. Alguns a tentam tirar do templo, sim apagar sua memória da história e tradição cristã. Porque ela recorda dor, sofrimento. O problema é que não existe Evangelho sem cruz, sem dor, sem sofrimento. O Evangelho é a antítese do que a propaganda e o mercado estão oferecendo hoje. O Evangelho é cruz, e ela recorda dor, sofrimento, abnegação, nudez. Mas este é o Evangelho, e esta é a ordem: ...tome a sua cruz! Ouça o que disse Paulo:“Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus.” (1 Co. 1.18)

 

_ “e siga-me...” Faz todo o sentido a sequencia ensinada por Jesus. É preciso morrer para o mundo e seus prazeres, negando a si mesmo, para poder ser seu discípulo, pois discípulo é seguidor. O seguimento de Jesus é traduzido no Evangelho de diversas formas, uma delas é a passagem de Jesus pondo a prova os que queriam segui-lo, vejamos: ...alguém lhe disse: Seguir-te-ei por onde quer que fores. Mas Jesus respondeu: As raposas têm seus covis, as aves do céu, ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (Lc 9. 57-58). Eu diria o texto é autoexplicativo. Mas sempre há dúvida. Então eu esclareço, não é que Jesus não quis ter alguns bens, um barco, uma casa, ou que ele não podia ter. Mas sim que ele decidiu não ter tais bens, para que o seu tesouro, o seu bem maior fosse à missão, fosse o Evangelho. “porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” ( Mt 6.21)

          O texto se encerra com intenso desafio, que traduz de outra forma o que é o Evangelho: “Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mc 8.35-36). Isto nos recorda que muitos trabalhadores do Evangelho, pastores/as, líderes de toda ordem, não ganharão o céu, mas irão para o inferno, pois pregaram um Evangelho equivocado e assim ensinaram: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade.” (Mt 7.21-23).

 

Conclusão

          Por fim aonde chegamos com estas constatações bíblicas. É que precisamos mudar o foco daquilo que desejamos e aspiramos, para aquilo que Deus aspira e deseja, conforme vimos no genuíno Evangelho de Jesus. Sabemos e temos visto Jesus curar e abençoar de todos os modos os seus discípulos. Mas o Evangelho é muito mais do que isto. Tenho visto polêmicas e divisões na Igreja, nenhuma é porque alguém queria orar mais e não deixaram, ou outro queria evangelizar mais e não deixaram, os conflitos e divisões na maioria das vezes são por cargos, poder, dinheiro, vaidades, projetos pessoais, enfim, carnalidades, estas coisas que perecem e podem nos levar para o inferno. Deus nos ajude a fugir dessas armadilhas do diabo.

 

Bispo Paulo Lockmann

 

 
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