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A reforma que precisamos: da carne para o Espírito
Data: 03/12/2013

A Reforma que precisamos: da carne para o Espírito



 

                        Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne.

Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne,

porque são opostos entre si;  para que não façais o que, porventura,

seja do vosso querer (Gl 5.16-17).

 

 

1)      A dificuldade dos gálatas: “Vós corríeis bem; quem vos impediu de continuardes a obedecer à verdade?” (Gl 5.7).

 

Como sabemos, a carta aos Gálatas é uma resposta de Paulo ao que se convencionou chamar, nos

estudos do Novo Testamento, de “judaizantes”. A expressão do verso acima demonstra o

desapontamento de Paulo com aqueles que eram seus filhos na fé e que agora deixavam de “correr

bem e de seguir a verdade”. Ou, como noutro verso, afirma de forma mais enfática: “Ó gálatas

insensatos! Quem vos fascinou a vós outros, ante cujos olhos foi Jesus Cristo exposto como

crucificado?... Sois assim insensatos que, tendo começado no Espírito, estejais, agora, vos aperfeiçoando

na carne?  (Gl 3.1,3).

A igreja na Galácia era fruto do ministério de Paulo, e incluía Antioquia (da Psídia - Atos 13.14), Icônio

e Listra. Já na primeira viagem, chegando a Antioquia, Paulo encontrou severa oposição, e ainda

assim houve muitos judeus e gentios que receberam a Palavra e se converteram, nascendo, assim,

uma forte comunidade (ver Atos 13.43-46). Por isso, Paulo podia mencionar tais irmãos e os judeus

que se opunham a Paulo e ao evangelho pregado por ele. Estes exigiam que acima do tudo se

tornassem como um judeu, circuncidassem, obedecessem aos ritos e jejuns, enfim se submetessem

à lei como interpretada pelo Judaísmo rabínico.[1]

 

Por tudo isso é que houve o Concílio de Jerusalém (cf. Atos 15), e o que foi determinado em carta

pelos apóstolos às igrejas gentílicas, inclusive as da Galácia, foi: “Visto sabermos que alguns [que

saíram] de entre nós, sem nenhuma autorização, vos têm perturbado com palavras, transtornando a

vossa alma, pareceu-nos bem, chegados a pleno acordo, eleger alguns homens e enviá-los a vós outros

com os nossos amados Barnabé e Paulo, homens que têm exposto a vida pelo nome de nosso Senhor

Jesus Cristo. Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas

essenciais: que vos abstenhais das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de

animais sufocados e das relações sexuais ilícitas; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Saúde” 

(Atos 15.24-29.)  Por tudo isso é que Paulo pôde se dirigir aos gálatas cerca de 4 a 5 anos após o

Concílio de Jerusalém, mais ou menos ano 55 depois de Cristo, dizendo:“Admira-me que estejais

passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é

outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo.  Mas, ainda

que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado,

seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além

daquele que recebestes, seja anátema (Gl 1.6-9). Expressões fortes como perverter o evangelho de

Cristo, “...mesmo que um anjo vos pregue outro evangelho seja anátema” (maldito).        Por que

tanta veemência? É o que veremos no próximo item.

 

2)      O risco da heresia, ou desvio da fé genuína em Jesus Cristo

Praticamente, a maioria das heresias surgidas na história da Igreja, nasceram dentro da própria

Igreja. São cristãos que, buscando novidade ou seguindo tendênos que buscando novidade, ou

seguindo tends na hist "sto.,Rio de Janeiro, uma igreja para cada Bairro e cidade e um grupo de |Dcia

do mundo em que vive a Igreja, começam a inventar novas práticas, e junto a um arrazoado bíblico–

teológico que justifica. Não tenho tempo nem espaço para considerar diversos exemplos da história;

deixo para os especialistas. Aqui me atenho a examinar, como biblista, à luz da Palavra, certas

novidades, modismos mesmo, que tentam introduzir no meio evangélico e mesmo no nosso meio

metodista. Vou tratar disso, caso a caso, com o propósito de ser didático, e não deixar dúvida ao que

estou me referindo.

Usarei os textos de Gálatas, Coríntios e Hebreus, por serem a referência bíblica mais clara e objetiva

para os temas a serem abordados, basicamente a introdução de práticas do Antigo Testamento, no

culto cristão, e ou na vida diária dos crentes.[2]

 

1) A entronização da arca com ritual de entrada no templo. Dependendo como se faz, ao invés de ser

a entrada das Escrituras Sagradas, o que é bom passa a ser a divinização e adoração da Bíblia, o que

é uma contradição, pois ela mesma ensina: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança

alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as

adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade

dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem.” (Êx. 20. 4-5). Além

disso, pode indicar a celebração da antiga aliança, a qual não nos incluía; nós vivemos a nova

aliança: “O qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito;

porque a letra mata, mas o espírito vivifica. (2 Co 3.6)

 

O que estão introduzindo é tornar os ritos exteriores em objeto e atos sagrados que nos darão

virtudes espirituais, e nos aproximarão da glória de Deus, da bênção do Senhor.

 

Assim, com o esforço, e com as obras e ritos da lei judaica, ou, se quiserem, da carne, nos

tornaríamos herdeiros das promessas de Deus.

 

2) Os cismas que surgem trazidos pelos modismos, mês a mês, põe em cheque se somos de fato

cristãos ou um grupo sectário, partidário. Pois enquanto Paulo conclama a deixarmos as obras da

carne que são: “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria,

feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices,

glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos

preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.  (Gl 5.19-21). Enquanto a Igreja e

a Missão pedem que coloquemos como prioridade o Discipulado, formando na Igreja uma geração

que multiplica os frutos do Espírito, que são:  “... amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade,

bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.” (Gl 5.22-23).Os quais

são o maior sinal de maturidade e caráter cristão. Chega de partidarismos, ninguém é de Apolo, Paulo

ou Pedro, mas somos todos de Cristo, imitadores DELE o Senhor, sendo servos uns dos outros e de

Cristo.

 

3) Qual o ensino de Paulo sobre esta relação lei/fé? Ou ainda carne e Espírito?

 

“Aquele, pois, que vos concede o Espírito e que opera milagres entre vós, porventura, o faz pelas obras

da lei ou pela pregação da fé? (Gl 3.5.)

 

Antes deste texto, ele já havia sido bastante categórico quanto ao restabelecimento da lei e seus

ritos: “Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em

Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo

e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado” (Gl 2.16). Diante disso, como

pode alguém estabelecer que Deus lhe revelou ser necessário fazer voto de nazireu, raspar a

cabeça, usar vestes de saco, e várias outras práticas? Pois, tal propósito tomou formas diferentes no

decorrer dos anos na tradição judaica. E não foram práticas ensinadas por Jesus, mas condenadas

(Lc 11.37-44). Atos exteriores de religiosidade não foram apreciados por Jesus, mas sim pelos

Fariseus. Lembrem, somos o povo do coração aquecido que promove atos de amor e santidade.

Além de Gálatas, Paulo nos dá lições preciosas sobre a nossa incapacidade de ser fiel à lei de Deus,

de produzir por nós mesmos atos que honrem e agradem a Deus: “Porque eu sei que em mim, isto é,

na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo.”

(Rm 7.18). “Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus,

enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito,

condenou Deus, na carne, o pecado, a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não

andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.” (Rm 8.3-4).

Assusta-me a quantidade de fórmulas propostas por pregadores evangélicos diversos, para que os

crentes se tornem prósperos; alguns falam de riquezas, coisa não aconselhada no evangelho  (Lc

18.24-25), e orientada por Paulo: “Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em

muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição.

Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si

mesmos se atormentaram com muitas dores” (1 Tm 6. 9-10). Cremos sim, na prosperidade que garante

o bem estar e a justiça.

Enfim, há toda a sorte de modismos que contaminam e desviam o povo do puro e simples evangelho

de Jesus Cristo. Precisamos de mais oração, mais submissão à Palavra de Deus, e não de ritos e

práticas exteriores; afinal, segundo o Novo Testamento, a circuncisão verdadeira é a que é do

coração: “Porém, judeu é aquele que o é interiormente e circuncisão, a que é do coração, no espírito,

não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus. (Rm 2.29).

 
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