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A visita de Deus
Data: 04/01/2014

A Visita de Deus



            “Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo.” (Lucas 1.68)

 

 

1)  Bendito seja o Senhor!

 

Por que Deus é bendito ? No Antigo Testamento por 51 vezes Deus é chamado de Bendito, e, todas às vezes o é por seus atos salvíficos, por sua graça e misericórdia. O Deus da Bíblia é o Deus abençoador. Benção bíblica é alcançar o favor de Deus, é uma dádiva, um presente.

Benção em hebraico é “beraka”, cujo sentido literal é “presente”, mas que adquire através da tradição bíblica o sentido de alcançar a misericórdia e favor de Deus. O termo é usado acerca do presente dado por Jacó a Esaú (Gn 33. 11), sua amplitude com as variações, o verbo barek, e o adjetivo baruk sempre nesta amplitude de doação, presente, pode ainda designar a reconciliação com a ação da misericórdia e perdão.   

Deus é Bendito porque propicia chuva, saúde, colheita, bem estar e filhos. Deus é o autor do Shalom, que ocorre como fruto das suas bênçãos.

Um dos melhores textos que ilustram o que dizemos é 1 Cr 29.10-14:

 

“Pelo que Davi louvou ao SENHOR perante a congregação toda e disse: Bendito és tu, SENHOR, Deus de Israel, nosso pai, de eternidade em eternidade. Teu, SENHOR, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, SENHOR, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos. Riquezas e glória vêm de ti, tu dominas sobre tudo, na tua mão há força e poder; contigo está o engrandecer e a tudo dar força. Agora, pois, ó nosso Deus, graças te damos e louvamos o teu glorioso nome. Porque quem sou eu, e quem é o meu povo para que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas? Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos.”

 

2) Por que Deus é Bendito no cântico de Zacarias?

 

Porque a situação de Israel era novamente de um povo sem a benção de Deus, várias gerações passaram e eles seguiam sobre dominação estrangeira. Foram os gregos, agora os romanos. Eles precisavam de salvação, libertação e cura, por isso Zacarias exprime em seu clamor:  “...porque visitou o seu povo, e nos suscitou plena e poderosa salvação”. (Lc 1.68b-69a).

 

a) As visitas de Deus no Antigo Testamento.

 

Permitam-me mostrar o significado no Antigo Testamento da expressão "visita" no Cântico de Zacarias:

Abraão estava desolado, sem perspectiva de que a promessa feita pelo Senhor se realizaria, não havia racionalmente nenhuma chance.

 

“Respondeu Abrão: SENHOR Deus, que me haverás de dar, se continuo sem filhos e o herdeiro da minha casa é o damasceno Eliézer? Disse mais Abrão: A mim não me concedeste descendência, e um servo nascido na minha casa será o meu herdeiro. A isto respondeu logo o SENHOR, dizendo: Não será esse o teu herdeiro; mas aquele que será gerado de ti será o teu herdeiro. Então, conduziu-o até fora e disse: Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade.” (Gn 15.2-5)

 

 

Esta visita foi benção para Abraão continuar crendo nas promessas, pois o texto termina com a frase: "... Abraão creu em Deus..." E a caminhada de Abraão é uma sucessão de visitas de Deus trazendo sempre benção, favor dos céus.

Moisés viveu uma das visitações de Deus mais impactantes que foi a da sarça ardente.

 

“Apareceu-lhe o Anjo do SENHOR numa chama de fogo, no meio de uma sarça; Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo e a sarça não se consumia. Então, disse consigo mesmo: Irei para lá e verei essa grande maravilha; por que a sarça não se queima? Vendo o SENHOR que ele se voltava para ver, Deus, do meio da sarça, o chamou e disse: Moisés! Moisés! Ele respondeu: Eis-me aqui! Deus continuou: Não te chegues para cá; tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa.” (Ex 3.2-5)

 

Com esta visita Moisés é desinstalado da sua situação de conforto, e ingressa numa trajetória em que Deus o visita e trás benção e libertação, operando sinais e maravilhas, e trazendo libertação a Israel.

Davi em casa de seu pai Jessé recebe a visita do homem de Deus, Samuel, que enviado por Deus vai para ungir um novo rei em Israel. Todos conhecemos a história, mas recordar é voltar a viver o momento que começa a dinastia do homem segundo o coração de Deus.

 

“Sucedeu que, entrando eles, viu a Eliabe e disse consigo: Certamente, está perante o  SENHOR o seu ungido. Porém o SENHOR disse a Samuel: Não atentes para a sua  aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o SENHOR não vê como  vê o homem. O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração. Então, chamou Jessé  a Abinadabe e o fez passar diante de Samuel, o qual disse: Nem a este escolheu o SENHOR.  Então, Jessé fez passar a Samá, porém Samuel disse: Tampouco a este escolheu o SENHOR.  Assim, fez passar Jessé os seus sete filhos diante de Samuel; porém Samuel disse a Jessé: O SENHOR não escolheu estes.  Perguntou Samuel a Jessé: Acabaram-se os teus filhos? Ele respondeu: Ainda falta o mais moço, que está apascentando as ovelhas. Disse, pois, Samuel a Jessé: Manda chamá-lo, pois não nos assentaremos à mesa sem que ele venha. Então, mandou chamá-lo e fê-lo entrar. Era ele ruivo, de belos olhos e boa aparência. Disse o SENHOR: Levanta-te e unge-o, pois este é ele. Tomou Samuel o chifre do azeite e o ungiu  no meio de seus irmãos; e, daquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apossou de Davi.  Então, Samuel se levantou e foi para Ramá.” (1Sm 16. 6-13)

 

 

 

b) As visitas de Deus no Novo Testamento.

 

Vejamos como via Zacarias, Simeão e Ana esta visitação de Deus anunciada no texto e testemunhada por tantos. Zacarias via uma sucessão de acontecimentos, sua visão expressa no cântico é profética, pois Jesus não havia nascido ainda. Atentem que do verso Lc 1. 68 a 75 o cântico se refere ao Messias Jesus, do verso 76 a 79 faz referência a João Batista e a Jesus.

 

“Zacarias, seu pai, cheio do Espírito Santo, profetizou, dizendo: Bendito seja o Senhor,  Deus de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo, e nos suscitou plena e poderosa salvação na casa de Davi, seu servo, como prometera, desde a antiguidade, por boca dos  seus santos profetas, para nos libertar dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam; para usar de misericórdia com os nossos pais e lembrar-se da sua santa aliança e do juramento que fez a Abraão, o nosso pai, de conceder-nos que, livres das mãos de inimigos, o adorássemos sem temor, em santidade e justiça perante ele, todos os nossos dias. Tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor, preparando-lhe os caminhos, para dar ao seu povo conhecimento da salvação, no redimi-lo dos seus pecados, graças à entranhável misericórdia de nosso Deus, pela qual nos visitará o sol nascente das alturas, para alumiar os que jazem nas trevas e na  sombra da morte, e dirigir os nossos pés pelo caminho da paz.” ( Lc 1. 67-79).

 

 Simeão, como o texto nos permite deduzir, vivia em Jerusalém, e sua história tornou-se conhecida e relevante para o cristianismo primitivo, tanto que, a tradição sobre ele chegou até Lucas e sua comunidade.

 

“Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão; homem este justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. Revelara-lhe o Espírito Santo que não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito, foi ao templo; e, quando os pais trouxeram o menino Jesus para fazerem com ele o que a Lei ordenava, Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus, dizendo: Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste diante de todos os povos: luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo de Israel.  E estavam o pai e a mãe do menino admirados do que dele se dizia.”(Lc 2.25-33) 

 

 

            O texto nos diz cinco coisas importantes sobre Simeão: a) era um homem justo; b) era piedoso; c) esperava a consolação: redenção de Israel; d) o Espírito Santo estava sobre ele; e) o Espírito Santo revelara-lhe que não morreria sem ver o Messias do Senhor.

A consolação ansiada por Simeão e por Israel era uma única esperança: o Messias Jesus. Tratava-se de uma fé  na qual Simeão e o povo simples de Israel se alimentavam e consolavam. A classe dominante já tinha nas riquezas suas consolações, mas gente como Simeão esperava  a Consolação de Deus.

 

Esta expressão apontava para a fé que Simeão e o povo de Israel tinham, de que Deus haveria de restaurar a Israel, consolando e redimindo conforme as diversas profecias de Isaías 40.1-2; 42.6-7 e de outros profetas. Sim, esperavam o ungido (Messias) de Deus, aquele que traria o dia do Senhor, o juízo de Deus sobre os ímpios,  livramento e redenção  para os que o amam e o buscam. 

 

ANA a Profetiza.  No verso 38 onde se diz que a profetiza Ana falava da (lutrôsin Jerusalém), que em português é traduzido por redenção de Jerusalém, isto marcava a memória do povo, e a fé em um Deus que é o Senhor da história. Desse modo, Simeão, Ana e tantos outros eram intérpretes dos anseios de um povo que entendia que a redenção vem de Deus, mas acontece entre nós, com a nossa participação, e pode ser sentida na vida e na história.

 

“Havia uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, avançada em dias,  que vivera com seu marido sete anos desde que se casara e que era viúva de oitenta e quatro anos. Esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações. E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a  todos os que esperavam a redenção de Jerusalém.”(Lc 2. 36-38)

 

Essa experiência de Deus que visita e se faz presente, encarnado na fé de um povo, e que move a história e seus acontecimentos na direção da vontade de Deus, é a que nós conhecemos em João Wesley e em tantos outros reformadores.

O que mais se pode dizer?

 

 3) E hoje: Como Deus nos visita?

 

Deus nos visita com o Espírito Santo“mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (Atos 1.8). Deus nos visita com Dons do Espírito Santo.

 

“Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos. A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso. Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las. Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente.” (1Co 12, 4 -11)

 

Por fim, se obedecermos e tivermos paixão pelas almas, e fizermos discípulos, temos a promessa de sua visita Todos os Dias. Quem não deseja isso? Jesus o Messias de Deus o visitando dia após dia? Isto é NATAL!

 

“Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os diasaté à consumação do século.” (Mt 28. 18-20)

 

 

Em Cristo

 

Bispo Paulo Lockmann

 

 
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